sexta-feira, 11 de julho de 2014

A escravidão no Brasil

O Brasil, país de dimensões continentais, teve na escravidão uma das passagens mais dolorosas da nossa História. A profunda desigualdade social brasileira está ancorado nesse passado, que relegou grande parte da população à marginalização. Ao debruçamos sobre as condições de vida dos afrodescendentes, nos defrontamos com índices alarmantes, a maior parte dos habitantes das vilas e favelas são negros, a maioria da população carcerária do país é formada por negros, o número de jovens vítimas de assassinatos no Brasil são na sua maioria de negros, o nível de escolaridade do negro é absurdamente inferior.

A escravidão não foi exclusividade do Brasil, nem tampouco uma invenção portuguesa. Desde a antiguidade a escravidão esteve presente na História da humanidade. Acontece porém, que o desenvolvimento econômico ocorrido com o mercantilismo impulsionou a compra e venda de seres humanos. No Brasil, o processo de colonização iniciado com exploração da cana-de-açúcar, necessitava de braços para a lavoura, a escravidão africana surge como alternativa para suprir a carência de mão-de-obra, ao mesmo tempo que atende às necessidades mercantilistas e o monopólio metropolitano.

A utilização da mão-de-obra escrava no brasil não foi uniforme , existiam os escravos vinculados a lavoura, como a da cana-de-açúcar e café, os escravos de dentro, como eram chamados os que faziam os serviços domésticos, os escravos de ganho, que desenvolviam atividades como de barbeiro, sapateiro para remuneração dos seus donos. As torturas e mutilações eram comuns, além da chamada tortura psicológica, causada pelas humilhações a que eram submetidos. Mas deve ser ressaltado que o escravo era antes de tudo uma ferramenta de trabalho caro, por isso, não era interessante para o seu dono causar-lhe danos que o inutilizassem.  

segunda-feira, 7 de julho de 2014

AS CÂMARAS MUNICIPAIS E OS HOMENS BONS


                                                                AS CÂMARAS MUNICIPAIS E OS HOMENS BONS     

No período colonial brasileiro a administração portuguesa tinha como característica uma grande centralização. O Governo Geral, com sede na cidade de Salvador, cumpria a função de administrar o Brasil em nome da Coroa Portuguesa, assim, o poder metropolitano se fazia presente na colônia. A incapacidade de administrar um território imenso, onde as poucas cidades encontravam-se distantes e muitas vezes isoladas, fez surgir a necessidade da criação de unidades administrativas que fossem capaz de responder as situações cotidianas de uma cidade.

As Câmaras Municipais  ocupavam-se de assuntos pequenos como a construção de um chafariz para abastecimento de de água das cidades, da cadeia pública (que muitas vezes dividia o mesmo prédio com a Câmara), pavimentação das ruas, dentre outras. Quem participava das decisões das Câmaras Municipais no Brasil Colônia eram o chamados “Homens Bons”, ou seja, elemento da elite proprietária, maior de 25 anos, casado, católico. Na visão da sociedade da época, o “homem bom” deveria possuir uma espécie de distinção (roupas, casa, mobiliário, etc.), que não pudesse confundi-lo com um sujeito comum, era um privilégio de poucos.